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15 curiosidades sobre a história da sexualidade

27 jul

Patricia ZwippTerra Mulher

Se você acha que sabe tudo sobre sexo, está redondamente enganado. Duvida? Então responda rápido o que a agricultura tem a ver com o ato, que o povo produziu os primeiros manuais sexuais conhecidos e quem criou a figura dos eunucos? Ficou curioso? Pois bem, esses e outros fatos e lendas sobre a sexo fazem parte do livro História da Sexualidade, do historiador americano Peter Stearns, que escreveu uma introdução diferente à edição brasileira.

O autor substituiu alertas sobre o tema, “ainda necessários em função dos elementos puritanos nas culturas norte-americanas”, por uma visão mais entusiasmada, porque o leitor daqui “não precisa de lembretes acerca da importância da sexualidade”. Confira 15 curiosidades sobre o tema e descubra as repostas das perguntas acima:

HISTORIA DA SEXUALIDADE



1) Um mito egípcio de 2600 a.C. diz que Atum, o deus-sol, se masturbou na água e sua ejaculação deu origem ao rio Nilo. Já em um mito sumeriano, é o sêmen de um deus que enche o Tigre e o Eufrates;

2) Entre os nativos norte-americanos, algumas tribos realizavam (e ainda realizam) um rito de iniciação que consiste em levar meninos ao primeiro sinal de puberdade para dormir na casa de homens. Um tio materno era encarregado de penetrá-los com o intuito de torná-los fortes e enchê-los de sêmen para que fossem férteis;

3) Com a introdução da agricultura na história (que surgiu por volta de 9000-8000 a.C. na região do mar Negro e Mesopotâmia), a maior parte das pessoas começou a se fixar em um só lugar. A habitação agrícola e a vida comunitária fizeram com que passasse a ser normal as crianças verem seus pais mantendo relações sexuais, já que os membros das famílias dormiam muito próximos;

4) A disponibilidade de animais domésticos produziu novas oportunidades para o bestialismo ou zooerastia (relação sexual com animais). Com o tempo, todas as sociedades agrícolas aprovaram regras severas contra a prática. Vale acrescentar que um estudo sobre os hábitos sexuais dos norte-americanos em meados da década de 1940 revelou que 1/4 de todos os homens das zonas rurais já tinham mantido algum tipo de contato sexual com bichos;

5) As sociedades agrícolas desenvolveram uma gama de práticas homossexuais ou bissexuais. Alguns grupos de sacerdotes (entre os mesopotâmicos, por exemplo) usavam o sexo anal como meio de conexão com os deuses, o que refletia a crença de que o orgasmo tinha qualidades espirituais e que as atividades homoeróticas refletiam capacidade espiritual;

6) Na Mesopotâmia, o Código de Hamurabi, elaborado por volta de 1700 a.C., estipulava que os homens poderiam manter concubinas e amantes, pelo menos enquanto a esposa não tivesse filhos, e as mulheres eram instruídas a defender sua honra sexual acima de tudo. Se alguém apontar o dedo para a esposa de outro alguém a acusando de adultério, mesmo que ela não tenha sido surpreendida em flagrante com outro homem, ela deverá ser amarrada e jogada dentro do rio. Achavam que, supostamente, se fosse inocente, não se afogaria;

7) A China produziu os primeiros manuais sexuais conhecidos, que eram bastante detalhados e realistas, embora com termos poéticos. O pênis era a cauda do dragão celestial ou a haste de jade, enquanto o orgasmo era descrito como uma explosão de nuvens;

8) A civilização clássica chinesa, que veio à tona com a evolução da dinastia Zhou, a partir de meados de 1050 a.C., criou um grupo de eunucos, homens submetidos à castração que passavam a realizar certos tipos de tarefas, como guarda do harém imperial. No inicio, o procedimento era um castigo para os condenados por crimes de traição. Muitos eunucos se tornaram conselheiros e confidentes do imperador, chegando a acumular grande influência e poder;

9) Na Grécia Antiga, o casamento e a mulher desempenhavam papel reprodutivo. Nem todas as representantes do sexo feminino aceitavam a condição de bom grado e alguns grupos podem ter explorado alternativas sexuais. Por volta de 500 a.c., surgiu na região de Mileto, no continente grego, uma indústria de manufatura de “consolos” ou pênis artificiais, feitos de madeira e couro almofadado, usados com azeite de oliva como lubrificante;

10) Muitos gregos demonstravam interesse pelo controle da natalidade, dificultado em alguns casos pela ignorância sobre a maneira precisa de concepção dos bebês. Na Antiguidade, boa parte da população acreditava que os recém-nascidos surgiam de partículas trazidas pelo ar. Alguns gregos ainda faziam oferendas aos deuses para ocorrer o aborto de um filho indesejado e usavam uma mistura de sulfato de cobre como contraceptivo. Há indícios também da crença de que o orgasmo feminino ajudaria a engravidar;

11) Na Grécia, o contraste com as circunstâncias repressivas da vida real era a sexualidade franca e aberta e, por vezes, devassa dos deuses gregos. A deusa Afrodite, por exemplo, mantinha vários casos amorosos com deuses e humanos, embora fosse casada com Hefesto. Os sátiros, embora não fossem deuses, faziam parte da mitologia e eram sempre retratados com pênis enormes e eretos, com representações que incluíam masturbação, sexo com animais e perseguição a mulheres inocentes;

12) O desenvolvimento da sociedade de Roma manteve ou copiou diversos temas gregos. Os romanos chegaram a acrescentar ao panteão o deus Príapo, associado à sexualidade e à fertilidade, sempre retratado como um pênis ereto e, em geral, gigantesco. As representações artísticas de Príapo eram comuns na decoração das casas. Nas da elite, eram mais contidas que nas da camada pobre, que chegavam a incluir cenas de sexo oral, anal e com animais;

13) Os romanos também produziram um grande número de manuais do sexo. A maioria levava em conta o desejo das mulheres e o prazer dos homens, que deveriam se esforçar para que as parceiras atingissem o orgasmo;

14) Na Índia, berço da última grande civilização clássica, a relação entre sexo e espiritualidade era crucial. As primeiras histórias sobre deuses e deusas invariavelmente envolviam temas sexuais;

15) Os indianos produziram uma infinidade de manuais sexuais, incluindo o famoso Kama Sutra. Nele, são descritas várias maneiras de aumentar o prazer tanto dos homens quanto das mulheres, dedicando a maior parte das atenções às preliminares.

Lançamentos de língua portuguesa: discurso, leitura, persuasão e biolinguística

16 jun

Leitura e persuasão
Luiz Antonio Ferreira

A coleção Linguagem & Ensino traz livros de especialistas destinados a orientar e capacitar professores de línguas e estudantes de Letras e Pedagogia nas recentes inovações de teorias e práticas linguísticas. São obras escritas de modo claro e envolvente, acessíveis também aos demais leitores interessados em ensino, comunicação e linguagem.

CAPA LEITURA E PERSUASAO_EMAIL As palavras realmente encantam. E não importa a roupa que usem: se revestidas de pompa, podem esconder enorme simplicidade; sob a veste simples do dia a dia, trazem ensinamentos profundos. Provérbios, slogans e crônicas aparentemente despretensiosas podem apresentar um ritmo irresistível, trazer a metáfora arrebatadora, seduzir e… persuadir.

Este é um livro que lida com a potência das palavras. Por ser simples, ressalta-as no contexto da retórica. Por ser didático, vale-se de perguntas ao texto para obter respostas que ajudem a desvendar o discurso. Por ser curto, conta com os colegas especialistas para que, em sala de aula, se torne vigoroso e útil. Foi feito para iniciantes na arte da análise retórica e, com esse propósito, vem à luz.

Leia a introdução do livro

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A (des)ordem do discurso
Nilton Milanez (Org.), Nádea Regina Gaspar (Org.)

Qual é o modo real de funcionamento do discurso? A Análise de Discurso não ocorre por meio de traslados em caminhos seguros e previamente demarcados por fronteiras, pois os discursos acontecem e se dão a ver por trilhas e atalhos que sugerem (des)ordens na ordem previamente estabelecida. Dessa forma, ao analisar discursos, novos caminhos, arranjos e ordenações são apontados.

CAPA DESORDEM DO DISCURSO_EMAILEste livro conceitua e analisa o modo de funcionamento do discurso e sua relação com a história. O resultado é um intenso e rico debate com exemplos práticos da aplicação teórica, escrito por renomados autores que aqui dialogam, entre outros, com Foucault, Courtine, Chartier e Maingueneau. Há análises no campo político, psiquiátrico, musical, midiático, literário e religioso.

Leitura para professores e estudantes de letras, linguística e comunicação.

Leia a introdução do livro

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Introdução à (bio)linguística
Maria Carlota Rosa

Pode parecer óbvio afirmar que o objeto central dos estudos linguísticos é a linguagem. Curiosamente e com certa frequência, no entanto, a linguagem é colocada em segundo plano – em especial quando se pensa a Linguística somente entre as ciências sociais.

CAPA INTRO A BIOLINGUISTICA_EMAIL Não é o caso da perspectiva adotada nesta Introdução à (Bio)Linguística. Ao destacar a Linguística como ciência cognitiva, a autora coloca em foco a linguagem, entendida como faculdade humana, que, como tal, está arraigada à mente.

Esta visão, que interliga Linguística, Biologia e Psicologia, traz à luz diversas indagações que concernem às relações humanas, como as questões linguísticas que permeiam a educação de surdos ou a tentativa de entender a relação entre cérebro e afasia – ponto este que suscita especulações há mais de cinco mil anos.

De maneira explicativa, a autora delineia um caminho de compreensão da Linguística, sua definição como ciência, seu objeto de estudo e cenário histórico, e aborda, entre outros aspectos, a discussão acerca do papel do ambiente no desenvolvimento de uma língua. Além disso, apresenta um panorama da base física da linguagem e levanta uma antiga questão, a do lugar da Linguística entre as ciências.

Obra fundamental para professores e estudantes de Letras, bem como para fonoaudiólogos, psicopedagogos e todos os profissionais envolvidos com linguagem.

Leia o prefácio do livro

“Livro sobre a 2ª Guerra é uma viagem frenética pelo horror”- Correio Popular

11 jun

/ LANÇAMENTO / Obra de Philippe Masson descreve e analisa cada episódio decisivo do conflito

Rogério Verzignasse
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
rogerio@rac.com.br

A editora paulistana Contexto acaba de colocar no mercado uma obra detalhada sobre o pior conflito bélico da história da humanidade, que provocou a morte de 50 milhões de pessoas. A Segunda Guerra Mundial, inédita pela extensão dos massacres, foi marcada principalmente pelo emprego dos meios de destruição em massa e pela consolidação dos Estados Unidos e da União Soviética como grandes potências mundiais. Mas a análise pormenorizada do historiador francês Philippe Masson vai muito além das informações consagradas pelo cinema ou pela literatura. Os apaixonados por história têm agora, nas mãos, um livro que vasculha táticas, avanços tecnológicos, manobras psicológicas, habilidade diplomática e, principalmente, a inércia de quem se esperava ação.

A Segunda Guerra Mundial — História e Estratégias, em 640 páginas, descreve e analisa, do começo ao fim, cada episódio decisivo daquela passagem obscura. É uma “obra definitiva”, se é que se pode dar o adjetivo a um tema complexo, apaixonante, que já teve e ainda terá muitas versões. O autor Masson, pelo menos, se propôs a contemplar o maior número possível de versões e opiniões, mergulhando em uma bibliografia composta por quase 400 publicações consagradas que, ao longo das últimas décadas, trataram de temas como relações internacionais, economia em tempo de guerra e informações manobradas por sistemas de propaganda.

No final do livro, o leitor tem a impressão de ter feito uma viagem frenética por todos os teatros sangrentos, da Europa ao Pacífico. O cidadão passa ter noção sobre ações de guerrilha, detalhamento de armas, estratégias de retaguarda e resistência. É apresentado a nomes: o autor da tática, o inventor da bomba, o piloto do avião. E, naturalmente, toma consciência de que o poder na mão de lideranças incompetentes e irresponsáveis se traduz em intolerância, sofrimento e morte.

Masson critica a inacreditável mansidão das potências ocidentais que assistiram, anos a fio, o desmoronamento do Tratado de Versalhes, que permitiu a Adolf Hitler reconstruir o Reich. Sem disparar um único tiro de fuzil, e respaldado por uma habilidade política ímpar (que falava em pacifismo e direitos trabalhistas), o führer conseguiu montar um arsenal invejável, sem despertar a menor desconfiança dos dirigentes vizinhos. Quando o mundo se deu conta do que acontecia, a Alemanha já tinha anexado a Áustria e os Sudetos, desmanchado a Checoslováquia e planejava ter todo o continente europeu (e o mundo) aos seus pés.

A Contexto lançou a obra nas livrarias brasileiras em comemoração aos 66 anos do desembarque aliado na Normandia. O dia 6 de junho de 1944, conhecido como “Dia D”, foi o marco divisó rio do conflito. Marcou o início da derrocada nazista. O autor confere, ao texto, informações preciosas: 6,5 mil embarcações, formado 75 comboios, atravessaram o Canal da Mancha, enquanto a aviação aliada destruía sistemas de alerta e fazia ataques de despistamento.

Além de dar detalhes sobre o horroroso massacre de civis em Hiroshima e Nagasaki (que conferiu à guerra um desfecho sinistro), o autor Masson revela detalhes ricos da pesquisa que, desde 1934, comprovaram a desintegração do átomo. E como em 1938 físicos alemães Hahan e Strassmann comprovaram que a desintegração gerava uma quantidade de energia avassaladora. O consagrado Einstein, ainda no começo da guera, escreveu ao presidente Roosevelt sobre a possibilidade de se fabricar uma arma surpreendente e radiotiva. E os EUA se apressaram no desenvolvimento da bomba.

Masson reuniu detalhes da construção de cada centro de pesquisa, explica como o experimento se transformou na arma letal que provocou a morte de 130 mil japoneses nos ataques dos dias 6 e 9 de agosto de 1945.

Além dos detalhes daquela ação sinistra (que revela o nome da operação, dos pilotos e dos aviões), o historiador Masson lembra que um crime bárbaro contra vidas humanas foi praticado com a conivência de todas as nações do mundo, que em nenhum momento questionaram a legitimidade da estratégia. Os livros de história da escola, por exemplo, não detalham que o Japão sofria, há pelo menos um ano, com bombardeios e assaltos frequentes, desferidos pelos aliados. E que o uso da bomba atômica, naquele momento, podia muito bem ser evitada. O historiador lembra que a bomba atômica serviu para inaugurar a era do terror sobre as populações.

SAIBA MAIS

A Segunda Guerra Mundial – História e Estratégias foi escrito pelo historiador francês Philipe Masson, professor universitário, doutor em Letras e especialista em conflitos do sécul o 20.

640 páginas
ISBN: 978-85-7244-467-5

Siscreve como sifala – Revista Galileu

2 jun

Esqueça o certo e o errado das aulas de português. Uma nova gramática põe de lado todas aquelas regras chatas qe levamos anos para decorar na escola

Rita Loiola

Eu mifu, tu sifu, ele sifu…

Em um futuro próximo, é possível que as criancinhas sentadas nas carteiras escolares ouçam a professora conjugando o verbo dessa maneira. Ao menos essa é a previsão do linguista Ataliba de Castilho, um dos mais importantes do País, que defende uma nova maneira de se usar a língua escrita, bem mais próxima da língua falada hoje (sifu está entre seus exemplos). Em seu livro A Nova Gramática do Português Brasileiro, que acaba de chegar às livrarias, não existe um só capítulo de regência verbal ou análise sintática. Em vez disso, ele propõe que a gente comece já a conjugar os verbos tafalano e sisquecer. Sabe aquele andara, o pretérito-mais-que-perfeito do verbo andar, que a gente só lê em poemas escritos há mais de 200 anos? Já que ninguém mais fala assim mesmo (e quase não escreve), Ataliba propõe que se acrescente a esse tempo verbal o tinha andado, esse sim, falado diariamente em todos os cantos do Brasil.

É a primeira vez que uma gramática oficializa nossa língua coloquial, a falada, e isso abre espaço para que o português que se estuda na escola chegue mais perto da realidade dentro de algum tempo.
É isso que o novo livro tem de mais inovador. Bem diferente dos manuais cheios de regras que seus colegas costumam escrever, Ataliba passa longe de dizer o que é certo ou errado. “Não existe isso de ensinar português para quem já nasceu falando o idioma. Não precisa existir um despachante para problemas gramaticais que diga como a língua deve ser usada”, afirma Ataliba. “Adotar uma gramática que estuda o que falamos de fato vai nos curar de certos preconceitos linguísticos, como o clássico ninguém sabe falar português”, diz o linguista Renato Basso, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Língua para comprar pão

“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.” Você já conheceu alguém que fale assim nos dias de hoje? Provavelmente não, mas as gramáticas tradicionais são povoadas por seres que usam esse tipo de frase. No livro de Ataliba é diferente. A frase acima, tirada do romance Iracema, de José de Alencar, um dos mais lembrados pelos vestibulares de todos os tempos, não passa nem perto das explicações do novo livro. Ele não traz nenhuma norma para ser copiada ou reproduzida e evita os exemplos tirados da literatura clássica, já que estão muito distantes da maneira que falamos na hora de comprar pão ou quando escrevemos um e-mail. Isso não quer dizer que pode tudo, mas que é necessário aceitar novas formas de se usar o português para situações diferentes. Quem escreve uma carta ao reitor de uma universidade e quem manda um e-mail para o melhor amigo está usando “línguas” diferentes, por isso Ataliba defende que precisamos ser bilíngues, e até trilíngues, em nosso próprio idioma. Existem ainda variações geográficas, socioculturais, individuais (homens não falam do mesmo jeito que mulheres, sabia?), língua falada, escrita e até uma língua para documentos técnicos. A parte boa é que todas elas estão certas, cada uma em seu contexto. “Essa nova gramática chama a atenção para o que é o português brasileiro culto falado e escrito, e mostra quais as diferenças entre ele e outras variedades”, afirma Marcos Bagno, linguista e professor da Universidade de Brasília (UnB).

Os exemplos mostrados no livro vêm, em boa parte, do Projeto de Estudo da Norma Linguística Urbana Culta (Nurc), iniciativa da qual Ataliba faz parte. O Nurc transcreveu o português falado por pessoas em cinco capitais brasileiras. Ataliba também se baseou em sua experiência de 50 anos de trabalho — ele deu aula na Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) — e foi um dos mentores e fundadores de diversas pesquisas destinadas a estudar a língua falada por aqui. O linguista ajudou a criar o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, o Projeto para a História do Português Brasileiro e o Núcleo de Estudos da Gramática do Português Falado. Ele dá prioridade ao idioma do Brasil e dispensa as aspas de lusitanos que sempre estão nas provas da escola, como os escritores Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco. “Essa é uma enciclopédia com a pesquisa linguística do português de nosso país”, diz Rodolfo Ilari, linguista da Unicamp e autor de cinco livros sobre língua portuguesa. “Uma das funções da gramática é dar um mapa da língua e não tínhamos coordenadas muito restritas. Esse livro traz vários caminhos para a língua que falamos, e que não prestávamos atenção.” Sidemos bem.

REVOLUÇÕES GRAMATICAIS | Alguns exemplos da nova gramática do português brasileiro que podem doer nos seus ouvidos

Foto: Marcelo Min/Editora Globo
Ataliba de Castilho, autor da Nova Gramática do Português Brasileiro

e professor aposentado da USP

* São raras as palavras “certo” e “errado” em seu livro. Por quê?
Ataliba de Castilho: Não coloco a ênfase no certo e errado, mas na reflexão sobre a língua. O valor do que é correto ou incorreto é social, não da gramática. O objetivo das boas gramáticas é desvendar o conhecimento linguístico armazenado na mente dos falantes, desde
o analfabeto até o
melhor dos escritores.

* Então por que uma gramática assim demorou tanto tempo para aparecer?
Ataliba: As gramáticas costumam repetir o que tem sido dito desde o século 19. Mas muita coisa mudou nesse tempo todo. Só que não havia pesquisas, dados sobre a língua falada no Brasil. A partir dos anos 60 os estudos começaram a ser feitos e, só então, foi possível analisar alguma coisa. Agora não precisamos mais ter despachantes tropicais das coisas que vêm de fora, da opinião de estrangeiros. Temos dados e estudos e podemos analisar nossa língua, podemos falar sobre ela.

* Você diz que todos podem ser gramáticos. De que maneira?
Ataliba: O gramático descreve a língua de todos os dias. E a língua é o ponto mais alto de nossa identidade, nela se manifestam os traços mais profundos do que somos, de como pensamos o mundo. Então, todos já são senhores dessa língua. A gramática só ajuda a entender como ela funciona, quais são suas variações. Você não precisa de um intérprete para isso. Prefiro apresentar perguntas e dar pistas de como achar novas respostas. Afinal, nem tudo está explicado. Fiz essa gramática para os inquietos, para quem não está contente em repetir o que vem sendo dito desde o século 19. Todos que querem partir para experiências novas, que fazem perguntas e não se contentam com as mesmas respostas de sempre podem ler esse livro.

* Você fala de uma língua brasileira. Ela já é totalmente diferente do português falado em Portugal?
Ataliba:
O português de Portugal se afastou do português brasileiro. Provavelmente, em 200 anos portugueses e brasileiros já não vão se entender. Há diferenças verbais, morfológicas e sintáticas. E eu tenho convicção de que o futuro do português está aqui. Afinal, há mais gente que fala a língua no Brasil do que em Portugal.

Nova Gramática do Português Brasileiro
Ataliba T. de Castilho
768 páginas
ISBN: 978-85-7244-462-0

Livro sobre a Segunda Guerra Mundial

5 mai

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Clique para saber mais sobre o livro


A política global nunca mais foi a mesma depois da Segunda Grande Guerra. Em maior medida que o primeiro conflito, a guerra de 1939-1945 merece ser chamada de mundial. Isso porque mobilizou a tota-lidade das forças morais e físicas dos beligerantes, provocando o desenvolvimento de sistemas de propaganda e de economia de guerra num nível jamais alcançado antes. Além disso, as operações aconteceram em cenários variados – Europa, norte da África, Oriente Próximo, Extremo Oriente e Pacífico – e exigiram novos sistemas de armas, modificando definitivamente os dados táticos e estratégicos. Esse conflito “fora das normas” também foi absoluto, não somente pela extensão dos massacres, pelo emprego de meios de destruição em massa ou pelo desencadeamento das paixões, mas também por seu desfecho: a capitulação total dos vencidos.

Além de uma completa cronologia das batalhas e acordos deste sombrio episódio do século XX, Philippe Masson faz uma análise aprofundada do conflito, destacando suas características estratégicas, geopolíticas, logísticas, econômicas e humanas. Esta obra, que favorece as leituras múltiplas, é o guia indispensável para todos aqueles – amantes da história, militares, diplomatas, estudantes e professores – que se interessam pela guerra mais importante que a humanidade já vivenciou.

A Segunda Guerra Mundial: história e estratégias
Philippe Masson
640 páginas
ISBN: 978-85-7244-467-5