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Julio César queria ser centroavante quando era criança

29 jun

(de Livraria da Folha)

Aclamado por muitos como o melhor goleiro do mundo, quando era pequeno, Julio César queria mesmo era ser centroavante. Essa e outras histórias sobre o homem que defende as traves brasileiras estão no livro Os 11 maiores goleiros do futebol brasileiro (Editora Contexto, 2010).

A publicação, escrita pelo jornalista Luís Augusto Simon, escalou uma seleção só de goleiros. Além do atual titular da equipe do Brasil, marcam presença na lista: Barbosa, Castilho, Gilmar, Raul, Leão, Zetti, Taffarel, Rogério Ceni, Marcos e Dida.

O autor relata a trajetória de cada um e ainda traz entrevistas com atletas que conviveram de perto com os jogadores, como Zagallo, Leivinha, Rincón e Kaká, entre outros.

Descubra como Julio César deixou o sonho de jogar na linha para vestir as luvas no trecho reproduzido abaixo.

*

Centroavante

E ser centroavante era o seu sonho primeiro, nos tempos de criança. Queria jogar como o irmão Janderson, sete anos mais velho e de pouco sucesso profissional. Com o nome de Espínola, o irmão atuou no Flamengo, Vasco, Avaí, Bangu e Anapolina. Quando, aos 8 anos, Julio César começou a treinar no futsal do Grajaú Country Clube não era no gol que fazia sucesso. Ao contrário. Como ala pela esquerda complicou a vida de muito companheiro que pegava no gol.

Até que um dia, a história recorrente aconteceu também com ele. Em uma ocasião, faltou um goleiro, ele foi quebrar o galho, mostrou qualidades, o técnico pediu que ele continuasse na posição, ele aceitou só por uns dias, para colaborar, e não saiu mais.

Ou melhor, saiu em 1992, aos 13 anos, quando recebeu um convite de Isaías Tinoco, dirigente do Flamengo. Queria para os juniores do Flamengo o goleirinho e também o zagueiro clássico Juan – amigo de infância de Julio César e um de seus companheiros de seleção brasileira.

“Goleirinho” não é força de expressão. Julio realmente não impressionava pela altura. O campeão estadual sub-13 media apenas 1,60 m e pesava 43 quilos. Nada muito diferente dos meninos de sua idade. Julio achava o gol de futebol de campo – que hoje domina com facilidade – muito grande. Chegava a chorar antes dos treinos. Chorava, mas ia. O pai, Jenis Honorato, é rubro-negro doente, como toda a família, e não perderia a chance de ver seu filho brilhar no time do coração.

Não demorou muito. Foram cinco anos de treinos duros até 13 de maio de 1997, quando jogou pela primeira vez uma partida oficial pela Flamengo. O jogo, contra o Palmeiras, no Parque Antártica, era válido pela semifinal da Copa do Brasil. Clemer, o titular, estava machucado. Zé Carlos, que foi um dos reservas de Taffarel na Copa de 1990 começou a partida, saiu contundido e Julio César teve sua chance no segundo tempo.

No dia 17 daquele mesmo mês, jogou desde o começo. Era um Fla-Flu. “Tinha 17 anos e fiquei o tempo todo esperando a torcida gritar o meu nome. E ouvi, quando defendi um pênalti. Perdemos por 2 a 0, mas eu fui bem”, recorda.


Paulo Whitaker/Reuters

Outras partidas vieram, mas sempre de maneira esporádica. Sempre dependia das ausências conjuntas de Clemer e Zé Carlos.

Em 2000, foi titular em dois jogos na conquista do título carioca. Mas o prazer de entrar em campo com o time principal, ouvindo a festa da massa no Maracanã, ele só conseguiu em 2001, quando se destacou na campanha do tricampeonato. Sua escalação foi uma decisão de Zagallo, que fez o que a torcida pedia há tempos.

No primeiro jogo da final, o Vasco de Juninho Paulista, Euller e Viola venceu por 2 a 1. Como tinha a melhor campanha, poderia perder por um gol de diferença que seria campeão. Logo no começo do jogo, Julio Cesar fez uma defesa muito difícil, um chute cara a cara, de Viola. O Flamengo fez 1 a 0, com Edílson cobrando pênalti e o Vasco empatou no final do primeiro tempo, com Juninho Paulista cobrando falta. Na segunda etapa, Julio César foi decisivo novamente, ao defender um chute de Juninho Paulista. O Flamengo fez o segundo, com Edílson, de cabeça. E o Vasco se fechou para manter o resultado que garantiria o título. A churrascaria para a festa já estava reservada, era a promessa de Eurico Miranda, presidente do clube. Aí, no final do jogo, aos 43 minutos, Petkovic cobrou uma falta de longe, com perfeição, e deu o tricampeonato ao Flamengo. No vestiário, Julio César era um dos mais alegres.

“Eu quero convidar o Eurico Miranda para comemorar com a gente na churrascaria de Copacabana que ele reservou”, disse, irônico.

O goleiro guarda grandes lembranças daquela conquista.

- É totalmente diferente o título dentro de campo do que vendo da arquibancada. No terceiro gol, na cobrança de Petkovic, eu tinha pouca visão, porque a distância entre uma baliza e a outra é enorme. Eu só vi a bola fazendo a curva e pensei que iria sair, mas aí percebi a massa pulando, histérica. Na hora, nem consegui comemorar, só agradecer a Deus. Eu estava completamente tenso. Tínhamos que vencer por dois gols de diferença e estávamos conseguindo [3 a 1]. Só faltava tocar a bola e esperar o tempo passar. Só comemorei quando o juiz apitou. Aí eu nem me reconhecia mais, e toda aquela tensão que eu carregava foi liberada.

Ainda em 2001, o Flamengo venceu a Copa dos Campeães, com 4 a 3 sobre o São Paulo, onde um jovem Kaká começava a despontar no tricolor, e garantiu presença na Libertadores do ano seguinte. Na competição internacional o time foi mal. Com uma vitória, um empate e quatro derrotas, foi o último em um grupo que reunia Once Caldas, da Colômbia, Universidad Católica, do Chile, e Olímpia, do Paraguai.

Conheça os outros livros sobre futebol da Editora Contexto

Mauro Beting: “Dunga, espero que você não me faça atualizar o livro com a seleção da Espanha”

17 mar

Carolina Oms
Especial para
Terra Magazine

A editora Contexto perguntou ao jornalista e comentarista esportivo Mauro Beting quais são as melhores seleções estrangeiras de todos os tempos. Depois de três meses assistindo a todos os jogos de todas as Copas desde 1954 e depois de conversar com diversos craques, técnicos e especialistas no assunto, Beting trouxe a resposta em sete seleções e 240 páginas do livro As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos.

Em entrevista a Terra Magazine o autor disse que achou o tema vasto e o tempo escasso um “desafio maravilhoso”:

A polêmica é própria do futebol, ainda mais envolvendo gostos. A gente estabeleceu critérios discutíveis, por exemplo, foram selecionadas seleções só a partir de 1954, porque são as seleções que eu pude ver os tapes, assistir todos os jogos das Copas que elas participaram.

O jornalista e comentarista esportivo Mauro Beting lançou o livro nesta terça, 16. Na dedicatória para o técnico da seleção brasileira, Beting promete escrever:

“Dunga, espero que você não me faça atualizar o livro com a seleção da Espanha”. E adianta: “Se eu fosse fazer um bolão, na final eu cravaria Espanha e Brasil e depois Brasil e Argentina”.

O livro conduz o leitor pelos caminhos percorridos pela Hungria de 1954, do craque Puskas, e pela Inglaterra de 1966, do goleiro Gordon Banks (que quatro anos depois faria a sua famosa defesa contra a cabeçada de Pelé). Em seguida, os mecanismos do carrossel holandês de 1974 são revelados. No mesmo ano, temos a Alemanha de Beckenbauer, campeã em cima daquela mesma Holanda. Da década de 1980, as representantes são a Itália de 1982, carrasca do futebol arte brasileiro, e a Argentina de 1986 – aquela da mão de Deus de Maradona. Por fim, a última campeã do século XX, a França de 1998.

Para Beting, o livro é único por ver e rever taticamente, com profundidade, cada partida: “Ele não fica apenas numa colcha de retalhos de depoimentos”. Além das análises e dos bastidores, o jornalista afirma que teve a “pretensão” de explicar tática e tecnicamente porque essas seleções foram “escolhidas, cornetadas e criticadas” por ele. Questionado se haveria, entre as sete, uma favorita ele não titubeia: – Até por um sentimento meio ‘loser’ da minha parte, eu acho que as duas grandes seleções entre as sete, sejam as grandes perdedoras. A Hungria de 54 e a Holanda de 74. A gente gosta de uma história assim: “Por que Deus não deu certo?”.

Confira a edição especial do programa “Grandes momentos do Esporte” com Milton Leite

11 mar

Milton Leite, autor de As melhores seleções brasileiras de todos os tempos, bate um papo com Hélio Alcântara no programa “Grandes momentos do Esporte”, da TV Cultura.

Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6

Milton Leite: “Seleção baseia-se em poucos bons jogadores”

9 fev

Por Eliano Jorge

milton_leite Com o conhecimento de quem mergulhou na história das seleções brasileiras que ganharam Copas do Mundo, o jornalista Milton Leite não leva muita fé para a empreitada verde-amarela deste ano, na África do Sul. “Sei não, estou meio desconfiado dessa seleção do Dunga. Embora todo mundo esteja elogiando, acho que ela está muito baseada em poucos bons jogadores”, afirma o autor do recém-lançado livro As melhores seleções brasileiras de todos os tempos, da Editora Contexto.

Escalado como um dos locutores e apresentadores do SporTv para o Mundial, Milton Leite vem acompanhando de perto o escrete canarinho. E, neste caso, não emprega um dos seus famosos bordões: “Que beleza!”

Tem um bando de jogadores esforçados lá, mas craque, craque mesmo, se pensarmos no time titular, tem uns dois ou três caras só: Julio Cesar, Kaká e talvez os laterais-direitos (Maicon e Daniel Alves) que estão jogando bem. O Luis Fabiano está numa ótima fase, mas não é craque, não é um cara que vá ganhar a Copa sozinho, como o Romário ganhou (em 1994).

Sua resistência à Seleção só desaparece quando ele se refere ao trabalho de se debruçar sobre as campanhas vitoriosas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, além da frustração de 1982. Notório crítico do selecionado nacional nos últimos anos, Milton Leite cobriu as Copas do Mundo de 1998 e 2006, as Olimpíadas de 2000, 2004 e 2008. Trabalhou em O Estado de S. Paulo e no Jornal da Tarde, foi radialista e ganhou destaque televisivo em 10 anos de ESPN Brasil.

Ele não acredita que precisará atualizar o livro tão rapidamente. “Ainda mais agora que o Kaká está com esse problema físico (pubalgia)… Acho que a Seleção está baseada em muito pouca gente boa, não tem muita alternativa. O fato de Dunga não ter conseguido recuperar Ronaldinho e não ter um baita centroavante acima de qualquer suspeita… O Robinho não está bem, a gente não sabe o que vai ser dessa volta dele e o que ele vai jogar na Seleção. Então, eu não apostaria todas as minhas fichas não, guardaria algumas para jogar em outros times”, opina.

Como diria ele próprio nas transmissões, “que faaase!”. À turma do treinador Dunga, é quase “uma caaassetada!” – mais uma de suas frases recorrentes.

O livro


As melhores seleções brasileiras de todos os tempos
, de 224 páginas e ao preço de R$ 33, apresenta a face de escritor de Milton Leite, que se popularizou em narrações de jogos de futebol reais e de vídeo-game.

- O projeto que me ofereceram era de ser o título As melhores seleções e tal. Agora, o conteúdo e o formato de grandes reportagens, fui eu que escolhi. Então fiz seis grandes reportagens sobre as seleções que escolhi. Para cada uma, conversei com três, quatro integrantes delas. Sobre quem não pude ouvir, eu buscava informações em biografias, em programas de televisão e entrevistas.

O livro invade os bastidores para esmiuçar as trajetórias e contar como foram formadas as equipes que garantiram ao País a conquista de cinco Copas do Mundo. A exceção é o time de 1982, exaltado pela qualidade e marcado pela surpreendente derrota para a Itália.

Milton Leite explorou a ausência de obra similar no Brasil, a única nação que se dá ao luxo de discutir, entre tantas, qual foi sua equipe predileta. “Tem coisas separadas, muito espassas. O que acho legal do livro é que ele reúne, num volume só, as seis histórias. Acho que isso o valoriza”, frisa o autor.

Ele ressalva que “não tem nada inédito, são histórias já muito conhecidas, mas com personagens e declarações legais, tem detalhezinhos de bastidores, que não chegam a ser grandes novidades”.

Cita, por exemplo, o temor do goleiro herói antes da consagração: “O Marcos falando que, quando foi estrear na Copa de 2002, a única coisa que ele tinha na cabeça era lembrar do Barbosa na Copa de 50, que acabou passando como culpado de uma derrota histórica. Ele falou: ‘Puxa vida, será que vou ser o novo Barbosa?’”.

Preferência

As genialidades das duas primeiras epopeias, Milton Leite viu somente em videoteipes. “Nasci em 1959. Na verdade, começo a me interessar por futebol mais proximamente na Copa de 70. Considero um marco de eu me interessar em acompanhar, em ler mais sobre futebol”, diz.

No entanto, nem os lances mirabolantes de Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho, Rivellino e o resto do panteão asseguraram sua preferência na infância.

- Se fosse escolher uma preferida, afetivamente mesmo, sem pensar na parte técnica e no resultado, seria a de 82. Porque eu já era jornalista na época, foi a que acompanhei mais de perto, assisti a todos os jogos, acho que a memória está mais próxima. E porque era uma seleção de caras de personalidade mais definida, não eram só craques. A de 70 tem um pouco isso, mas a de 82 acho que está mais próxima. Foi uma derrota tão contundente que acabou ficando mais marcada.

A ligação com o futebol bem jogado dos comandados de Telê Santana forçou sua inclusão entre as cinco equipes vitoriosas. Milton Leite acrescenta outro argumento desequilibrante para sua predileção: “Tive a chance de conhecer muitos daqueles caras depois: Zico, Falcão, Sócrates… Até eles todos darem entrevista pro livro. Então, o xodó seria a de 82, pelo aspecto puramente afetivo, nada de parte técnica ou tática”.

Coração de lado, a pioneira prevalece. “De todas, talvez a melhor tenha sido a de 1958, embora, como o próprio livro fala, a maioria das pessoas considerem a de 70 como a melhor seleção da história. Acho que tecnicamente a de 58 era melhor, tinha Didi, Garrincha, Pelé, Nilton Santos, Gilmar”, analisa.

Mesmo o álbum de 1962, com várias figurinhas repetidas, não possui brilho semelhante. “Era um time superenvelhecido, o Pelé jogou só duas partidas. O próprio Zagallo me fala isso no livro, que o time da estreia em 62 tinha nove titulares que fizeram a final de 58, que aquele time ganhou a Copa na experiência porque já conhecia o caminho e tal. E porque, quando Pelé se machucou, o Amarildo entrou muito bem. Mas Zagallo fala que a de 58 era muito melhor”.

(via Terra Magazine)

Futebol: “As melhores seleções brasileiras de todos os tempos” de Milton Leite

5 fev

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É ano de Copa do Mundo em 2010, e livros sobre futebol é com a Contexto.

Além de Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro e O futebol explica o Brasil, acabou de chegar em nossa editora a obra As melhores seleções brasileiras de todos os tempos.

Do futebol brasileiro, o mundo sempre espera o melhor. Nossas seleções devem reunir o melhor do melhor. E o que dizer, então, das melhores seleções brasileiras? Aquelas cuja escalação os boleiros sabem de cor. As seleções que faziam os adversários tremer e que arrancavam aplausos até de torcedores de outros países?

O jornalista e narrador esportivo Milton Leite sabe que cria polêmica ao definir quais foram As melhores seleções brasileiras de todos os tempos. Neste livro ele reúne personagens em entrevistas exclusivas e desvenda episódios das grandes campanhas nacionais no esporte mais popular do planeta. São revelados os bastidores das equipes campeãs das Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, além do marcante grupo de 1982. Enriquecida com fotografias e depoimentos de protagonistas dessas campanhas – como Pelé, Zico e Ronaldo -, a obra é para todos os brasileiros, boleiros ou não.


O melhor futebol do mundo

A missão: escolher e retratar as principais representantes da seleção mais vencedora do mundo. Ou, em outras palavras, responder a pergunta: quais foram as melhores formações que a equipe brasileira já teve? À primeira vista, tarefa fácil, já que temos o melhor futebol do mundo, os grandes jogadores, a hegemonia. Um olhar mais atento, no entanto, revelou a dificuldade de buscar a excelência, em meio ao que já é considerado a elite da modalidade. Mas para um apaixonado por futebol, o trabalho mostrou-se delicioso. Voltar às vitórias catárticas de 1958 e 2002, sonhar novamente com os gols feitos – e até os não feitos – da perfeita equipe de 1970 e ainda recuperar o econômico time de 1994 e também aquele de 1982, com qualidade de campeão, mas que não chegou ao título.

A ideia do livro é reunir histórias e personagens das grandes campanhas nacionais no esporte mais popular do planeta. Mas quando o título começa por “melhor” ou “melhores”, é claro que a obra remete a escolhas, comparações. E, evidentemente, quem escolhe adota critérios – e se expõe ao contraditório, às polêmicas, às críticas porque faltou um nome ou porque não deveria ter entrado aquele outro. Se o tema é futebol, no país de 180 milhões de técnicos, a discussão costuma ser ainda mais intensa, mais apaixonada, e – por que não? – mais rica, pois todo mundo sempre tem opinião. Todos têm suas preferências, suas memórias afetivas, suas marcas. Como escolher, então, as melhores seleções entre tantas que conquistaram a hegemonia internacional? Em primeiro lugar, restringir o universo de escolha às equipes que disputaram as Copas do Mundo, o principal evento. A partir daí, basicamente adotou-se dois critérios: conquistas e qualidade técnica, que nem sempre caminham juntas quando o assunto é futebol. Das seis seleções retratadas no livro, duas conseguiram unir o futebol bonito, de alta qualidade técnica, à conquista do título, pelo menos na minha visão. As equipes de 1958 e de 1970 foram campeãs jogando um futebol irrepreensível – tanto que as duas sempre aparecem nas mais variadas enquetes sobre as principais equipes de todos os tempos.

O time que venceu em 1962 era praticamente igual ao de 1958, mas, envelhecido, não teve o mesmo brilhantismo de quatro anos antes, como os próprios integrantes daquele grupo deixam claro no capítulo que trata da conquista no Chile. Se as vitórias de 1994 e 2002 não foram conseguidas com futebol espetacular, ganharam e somaram ao país os cinco títulos, o que nenhuma outra seleção conseguiu até hoje. Também contaram com participações decisivas de craques como Romário, Bebeto, Taffarel, Ronaldo, Rivaldo e Marcos, só para ficar nos principais. No entanto, nem todo grande time consegue vencer, mesmo entrando para a história pela qualidade que apresenta em campo. Por isso a seleção de 1982, derrotada na Espanha, tem um capítulo a ela dedicado – o que provavelmente será motivo de polêmica, já que para muitos torcedores e especialistas, time bom é o que vence. No capítulo da Copa de 1982 entra em ação a minha memória afetiva, e um carinho particular por aquele grupo, que só aumentou durante a execução do trabalho. Uma equipe que saiu do Brasil como grande favorita, fez uma campanha irretocável até a derrota, jamais esquecida, para uma Itália em dia brilhante.

Claro que muita gente vai reclamar a ausência desta ou daquela equipe, pelas mais diversas razões. Eu mesmo sinto falta de uma aqui – e ela foi objeto de debates com os editores: a seleção vice-campeã do mundo em 1950, no Maracanã, que não ficou com o título, mas entraria facilmente pelo critério da qualidade técnica, até porque dominou todo o Mundial, porém não conseguiu confirmar o favoritismo na decisão. Só que, ponderamos em nossas reuniões, como abrir um trabalho sobre as melhores seleções justamente com a maior derrota da história do futebol brasileiro? Sim, porque se aquele era um timaço, também pesa contra ele o fato de ter perdido em casa, no Maracanã, diante de um público de 200 mil torcedores, quando era favoritíssima. O time de 1950 ficou de fora, mas tem a sua importância reconhecida, pelo menos neste texto de introdução.

Escolhas feitas, começava a segunda fase: recolher o material. Foram muitas entrevistas, muitas histórias, muita conversa com essa gente que fez do futebol brasileiro o mais respeitado e vitorioso do mundo em todos os tempos. Das mensagens curtas e valiosas de Ronaldo e Pelé, passando por longas conversas com Carlos Alberto Parreira e Zagallo, contei com a participação direta e indireta de várias gerações de craques com as mais diversas características. E dos mais diferentes pontos do planeta.

Numa manhã qualquer lá estava eu abrindo minhas mensagens eletrônicas. Uma delas vinha de Moscou e pedia desculpas pela demora em responder algumas perguntas formuladas dias antes.

– Meu Deus, o Zico me pedindo desculpas!!! – foi minha reação.

Eu já estava feliz só por ter conseguido o e-mail do Galinho e poder mandar as perguntas. Ele concordar em responder era a consagração. E um dos maiores jogadores que vi atuar ainda me pedia desculpas???!!!

Viajar pelo Brasil de primeiro mundo, que é o futebol das nossas seleções brasileiras, me proporcionou coisas assim.

A viagem que convido você a fazer nas páginas seguintes é pelo Brasil internacional. Se existe uma área em que brasileiros se sentem como cidadãos de país desenvolvido, é o futebol. E se você duvida, faça o teste: vá ao exterior e conte ao seu anfitrião que é brasileiro. Os jogadores citados por esse estrangeiro poderão variar, mas certamente você ouvirá algum nome bem familiar, pois futebol brasileiro é uma referência corrente nos mais diferentes cantos do globo. É, em futebol o Brasil é do primeiro mundo…

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Milton Leite é jornalista profissional desde 1978. Atuou em rádios e jornais de Jundiaí no início da carreira, antes de transferir-se para São Paulo, onde trabalhou nos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde. Foi apresentador de programa de variedades na Rádio Jovem Pan AM e diretor de redação da Rádio Eldorado AM. Como narrador esportivo atuou durante 10 anos na ESPN-Brasil e desde 2005 é contratado do Sportv/TV Globo. Esteve nas Copas do Mundo de 1998 e 2006 e nas Olimpíadas de 2000, 2004 e 2008.