Editora Contexto

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HÁ UM ANO E MEIO QUE A JORNALISTA CLÁUDIA TREVISAN VIVE EM PEQUIM, NA CHINA, TRABALHANDO COMO CORRESPONDENTE DO ESTADO. PERÍODO EM QUE ELA DESCOBRIU NÃO APENAS A FACE EXÓTICA DE UMA SOCIEDADE EM CONSTANTE MUTAÇÃO COMO AINDA, POR DEVER DO OFÍCIO, CONHECEU A ENGRENAGEM DE UM PAÍS ONDE O REGIME É COMUNISTA, MAS A ECONOMIA É CAPITALISTA. UMA EXPERIÊNCIA TÃO FASCINANTE QUE, MESMO COM UM TEMPO RELATIVAMENTE CURTO DE CONVIVÊNCIA, ELA PRODUZIU UM DETALHADO RETRATO DA MAIOR NAÇÃO DA TERRA EM OS CHINESES (EDITORA CONTEXTO, 336 PÁGINAS, R$ 49,90), CUJO LANÇAMENTO OCORRE HOJE À NOITE, NA LIVRARIA CULTURA DO CONJUNTO NACIONAL.

"SÃO 1,3 BILHÃO DE CHINESES, 20% DA HUMANIDADE OU SETE VEZES A POPULAÇÃO DO BRASIL", CONTA CLÁUDIA, QUE JÁ VIVEU NA CHINA ENTRE 2004 E 2005. "E NEM TODOS SÃO CHINESES NO SENTIDO ESTRITO DA PALAVRA, POIS, NAQUELE IMENSO TERRITÓRIO TAMBÉM VIVEM TIBETANOS, MONGÓIS, MUÇULMANOS UIGURES, YAOS E MIAOS, TOTALIZANDO 55 GRUPOS CLASSIFICADOS COMO ?MINORIAS ÉTNICAS? PELO GOVERNO."

COM A OLIMPÍADA REALIZADA NO ANO PASSADO EM PEQUIM, A INFRAESTRUTURA DAQUELA CIDADE GANHOU UM AVANÇO FENOMENAL, QUE AINDA CONTINUA COM A CONSTRUÇÃO DE NOVOS PRÉDIOS. AFINAL, OBSERVA A JORNALISTA, O PROGRESSO MODIFICA A CHINA A PASSOS LARGOS, POIS O PAÍS QUE ERA O REINO DAS BICICLETAS ATÉ O FINAL DA DÉCADA DE 1990 HOJE É O SEGUNDO MAIOR MERCADO AUTOMOBILÍSTICO DO MUNDO, COM OITO MILHÕES DE CARROS VENDIDOS EM 2007 - MUITOS, DE LUXO, COMO FERRARIS. E, DE ACORDO COM AS EXPECTATIVAS, DEVERÁ ENCERRAR ESTE ANO COMO LÍDER, SUPLANTANDO OS ESTADOS UNIDOS.

MESMO ASSIM, A NAÇÃO QUE DETÉM 640 MILHÕES DE CELULARES E 300 MILHÕES DE INTERNAUTAS (CIFRAS QUE A COLOCAM NO TOPO TAMBÉM NESSES QUESITOS) AINDA É MAJORITARIAMENTE AGRÍCOLA. "APESAR DA TRANSFORMAÇÃO VERTIGINOSA EMPREENDIDA A PARTIR DO FIM DOS ANOS 1970, NADA MENOS QUE 55% DA POPULAÇÃO CHINESA MORAVA NA ZONA RURAL EM 2007 E ESTAVA SUBMETIDA A UM ESTILO DE VIDA CADA VEZ MAIS DISTANTE DO DESFRUTADO PELOS HABITANTES DAS CIDADES", ESCREVE CLÁUDIA.

E OS QUE DECIDIAM TROCAR O CAMPO PELA CIDADE ENCONTRAVAM NA CONSTRUÇÃO CIVIL A PRINCIPAL FONTE DE RENDA. CERCA DE 150 MILHÕES DE PESSOAS DEIXARAM SUAS VILAS EM BUSCA DE TRABALHO, CRIANDO UMA POPULAÇÃO FLUTUANTE SEM BENEFÍCIOS SOCIAIS E COM DIFICULDADES PARA TRAZER O RESTANTE DA FAMÍLIA. AFINAL, AINDA HOJE RECEBEM SALÁRIOS MENSAIS INFERIORES A US$ 200 E COM A OBRIGAÇÃO DE TRABALHAR DE DOMINGO A DOMINGO.

A PROLIFERAÇÃO DE GUINDASTES CONTRASTA COM AS CENTENÁRIAS FILEIRAS DE CASAS COM PÁTIOS INTERNOS E COM ESTREITAS RUAS, CHAMADOS DE HUTONGS. PEQUENAS EXTENSÕES DAS RESIDÊNCIAS, TÊM BANHEIROS COMUNITÁRIOS E NÃO É RARO VER CHINESES DE PIJAMA NAS RUAS.

TAL DESIGUALDADE É UM DOS PRINCIPAIS FRUTOS DA PROFUNDA TRANSFORMAÇÃO VIVIDA PELA CHINA EM 1978, QUANDO O COMUNISMO QUE PREGAVA O IGUALITARISMO FOI SUBSTITUÍDO PELO CAMINHO INVERSO, OU SEJA, O DESENFREADO JOGO DE ACUMULAÇÃO E ENRIQUECIMENTO. "O PAÍS ABANDONOU O ISOLAMENTO QUE O CARACTERIZOU DURANTE 30 ANOS E ABRAÇOU A GLOBALIZAÇÃO COM ENTUSIASMO."

O RESULTADO FOI UM FORTE CONTRASTE, ESPECIALMENTE CULTURAL. A VALORIZAÇÃO DAS FRALDAS, POR EXEMPLO - COM A OCIDENTALIZAÇÃO E O AUMENTO DA RENDA, AS MÃES CHINESAS COMEÇARAM A ABANDONAR O HÁBITO DE NÃO COBRIREM SEUS BEBÊS QUE, ANTIGAMENTE, BRINCAVAM COM AS CALÇAS ABERTAS ENTRE AS PERNAS, FAZENDO AS NECESSIDADES ONDE ESTIVESSEM. A POPULARIZAÇÃO DAS FRALDAS DESCARTÁVEIS, NO ENTANTO, CONTRIBUIU PARA O AUMENTO NA PRODUÇÃO DO LIXO.

O CONTROLE DA NATALIDADE, ALIÁS, É UM DOS PRINCIPAIS TRUNFOS DOS CHINESES - E TAMBÉM A RESPOSTA PARA UMA SÉRIE DE DESIGUALDADES. CLÁUDIA CONTA QUE, EM 1978, O GOVERNO PASSOU A CONTROLAR O NÚMERO DE FILHOS DE CADA FAMÍLIA. "COM ISSO, ACREDITA-SE QUE, DESDE AQUELA DATA, ENTRE 300 MILHÕES E 400 MILHÕES DE BEBÊS DEIXARAM DE NASCER, O QUE É USADO PELO GOVERNO COMO PROPAGANDA DE SEU ESFORÇO PELO BEM-ESTAR MUNDIAL."

MAS A HISTÓRICA PREF