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Estudiosa da língua portuguesa fala sobre erros de redação jornalística mais comuns

Guilherme Sardas 13/05/2013 17:45

Muitos jornalistas adorariam ter na redação uma colega como Dad Squarisi. Além de editora de opinião do Correio Brazilienze, ela é estudiosa da língua portuguesa e expressão oral e escrita.Um de seus livros, “Escrever melhor” (Contexto, 2008), assinado com a jornalista Arlete Salvador, figura entre os livros de não ficção mais vendidos do país – ocupa a 14ª colocação no ranking do Publishnews e está na 6ª edição, fora duas edições pocket. 

Também apresenta o "Fale Certo", quadro que vai ao ar às quartas-feiras no telejornal do meio-dia da TV Brasília e assina a coluna "Dicas de Português", publicada em 15 jornais do país.

Mesmo que trabalhe quase sempre aspectos estruturais do texto, úteis para todo tipo de redação, é inevitável que a autora tenha um visão crítica sobre os textos jornalísticos, parte de sua rotina diária no Correio, onde também mantém o "Blog da Dad", sobre a língua.
Para ela, a piora gradual dos textos jornalísticos deve-se à carência de profissionais qualificados nas redações, unida a um agravante considerável: a pressa. “É uma moçada de 22 ou 25 anos, recém-formada, que já carrega falhas de formação e ainda trabalha demais”. Confira o bate-papo na íntegra.

IMPRENSA – Os textos jornalísticos de hoje são piores do que antigamente?
DAD SQUARISI - São textos piores do que os que já tivemos.  As redações perderam os profissionais mais qualificados. São muitos jovens. Toda uma meninada de 22 ou 25 anos. Então, há a falta de experiência em redação mesmo. Além disso, as redações estão muito enxutas. Então, essa moçada trabalha demais, em redações muito enxutas, já carregando as falhas de um ensino médio e fundamental ruim. Mesmo as boas revistas estão sofrendo com a má qualidade do texto.

O problema é mais grave nas redações digitais?
Nas redações digitais, tem uma praga da redação que é achar que o leitor de internet aceita tudo. Não há o menor cuidado. Existem pesquisas que mostram que mais de 80% do público que acessa a internet está em busca de informação. E ele quer informação bem apurada e bem escrita. É preciso ter em mente que o leitor da internet é tão exigente quanto o leitor do impresso.

Quais são os erros mais comuns cometidos pelos jornalistas?
A estrutura do texto. É um samba do texto doido. A falta de articulação, desenvolvimento e conclusão. Segunda coisa são erros de carência vocabular, muita repetição de palavras e de estruturas. Terceiro: erros gramaticais, que muitas vezes são erros da pressa. Às vezes, o repórter não tem tempo para revisar, nem o editor. 

O que você destaca dos erros menos óbvios?
Chamo de erros sofisticados, com pedigree.  Eu digo assim: “Além de estudar, também trabalha no Congresso”. O “além de” indica adição, assim como o “também”. É um pleonasmo mais sofisticado. Outra coisa que se vê muito em caderno de esportes é o uso errado do verbo “manter”. “O treinador mantém a mesma equipe”. Se mantém só pode ser a mesma equipe. Outro ponto são parágrafos que começam sempre da mesma maneira, por exemplo, sempre com artigo e substantivo. Não sei se pode considerar um erro, mas torna o texto muito monótono. 

O que você indica para aqueles que sentem a necessidade de aprimorar o texto?
A primeira coisa é que façam cursos de língua portuguesa. Não tenham constrangimento. Há cursos muito ágeis que preparam para concursos. Sugiro também que se faça uma leitura de ponta a ponta de uma Gramática. Por que isso é importante? Porque, no momento da dúvida, a pessoa sabe ao menos onde procurar a informação. Muita gente não sabe nem onde procurar. Ou seja, estudo e leitura, não precisa ser nem de literatura, mas de bons textos. Não há empregador que assuma essa responsabilidade. A responsabilidade é dele. Ele tem que correr atrás.