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Rivellino: a biografia de um craque da bola

 

Fonte: CBF

 

 

 

A Livraria Travessa, em Ipanema, no Rio de Janeiro, começou a reunir gente bem antes da hora marcada para o lançamento da biografia "Rivellino", do jornalista Maurício Noriega. Muitos que chegavam eram mais velhos, da geração que viu Rivellino jogar no Fluminense; outros tantos diziam que aprenderam a gostar de futebol, ainda crianças, vendo os gols e lances de Rivellino pela tevê, na Copa do Mundo de 1970, a do tricampeonato no México.

– O gol que ele marcou na Tchecolosváquia, em cobrança de falta, é a primeira coisa que me lembro na vida de futebol - contou o tricolor Cláudio Braga.

Zé Roberto foi um dos primeiros a chegar. Além de ser fã declarado de Rivellino, teve o privilégio de jogar ao lado do camisa 10 na Máquina Tricolor, na década de 1970. Natural de Três Rios, de onde veio especialmente nesta quinta-feira, estava ansioso para reencontrar o amigo após 30 anos.

– O Rivellino mudou a minha maneira de ver e jogar futebol. Com ele, aprendi muitas coisas, foi um do maiores craque que eu vi. Fazia o que queria com a bola.

O ponta-esquerda Zé Roberto começou a jogar no juvenil do Fluminense, aos 16 anos. Quando Riva foi contratado, o time contava com muitos craques, jogava ofensivamente, e ele tinha a certeza de que jamais seria titular. Mas a oportunidade logo chegou.

– Com todas aquelas feras o time precisava de alguém para ajudar na marcação, que ficava a cargo só do Zé Mário. Entrei no time e tive a honra de jogar com o Riva. Eu só tenho a agradecer pela vida ter me dado a oportunidade de jogar com o Rivellino. Ele me ajudou a ganhar dinheiro para comprar um apartamento, me deu muito "bicho"  – contou o descontraído Zé Roberto, provocando risos em quem ouvia.

Um dos primeiros a chegar e tomar lugar na fila de autógrafos, o presidente eterno do Fluminense, Francisco Horta, 81 anos, foi quem contratou Rivellino, em dezembro de 1974. Alertado de sua presença, Riva pediu que o trouxessem à mesa, ressaltando que ele merecia ser passado à frente por tudo que representou em sua carreira. 

Horta ainda relutou.

– Olha, não quero furar fila!

Mas Rivellino envolveu-o com um abraço caloroso, que traduzia muita amizade.

– Este aqui foi o maior dirigente que conheci. Me trouxe para o Fluminense e montou um timaço.

Francisco Horta fez a reverência ao craque e recebeu o seu carinhoso autógrafo.

– O livro é muito bom. Vim lendo no carro, tem belas histórias.

Uma delas, Rivellino antecipou, sem contar os detalhes.

– O livro tem histórias exclusivas, uma delas picante, que aconteceu antes do jogo de despedida da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1970, contra a Áustria. E que me ajudou muito.